5.

Quando o sonho guardado no peito explodir, transubstanciado em coisas e pessoas concretas, liberdade e justiça deixarão de ser estátuas frias e rígidas, para ter carne, sorriso e desejo. Serão uma relação, um elo de um movimento para a vida, gente mesmo de verdade, que chora e olha no olho, e não um pão disputado com sangue... nosso, tão rubro e suado. Quando chegar esse sonho, que comigo guardo intenso, será a hora de negarmos a venda do tempo, de recriá-lo e dizer: já basta! A engrenagem quer a vida, mas chegará a hora da vida negá-la, de dizer: não! De matá-la de fome, aos poucos, enferrujada, e depois observá-la pacientemente. Talvez, olhando o esqueleto da máquina estendido, nos assalte uma reflexão: Existe a máquina sem o fogo que a movimenta?

Por Marcos Pablo (e-mail)

29 de Agosto, 2007.


4.

Mitoca

Peito aberto para o mundo
Sorriso nas faces
Meus vícios...
Meu irmão?!

Mitoca, Mitoca, Mitoca
Me sente
parte de você
qualquer preconceito

Deixe-me lhe dizer
toda física do lodo
que seca, que seca
mostra o seu poder
cala uma galera

me seca
me seca

Mitoca, Mitoca, Mitoca
Me sente
Perto de você.

Mitoca viveu em Campina Grande até Junho de 2007...

Música executada pelo grupo Marxuvipano na Faculdade de Comunicação da UEPB:

Por Tone Ely (orkut) no Marxuvipano (site)

12 de Julho, 2007.


3.

Correnteza

Todos passam calados
Egoistas, cada qual com seu mundo
Onde os humanos viram animais
E os animais se tornam mais humanos
O descaso de cada dia
Esfria qualquer alma
Esconde qualquer sorriso
O sol insiste em nascer
Mesmo quando ninguem quer vê-lo
A sociedade existe, falsa e fria
E os sorrisos ao dar as costas acaba
O "bom dia" insiste em nao sair
Nesse mundo autista
Cheio de tantos mundos
Onde alguns se unem
E outros...

Por Carol de Lira (orkut)

7 de Novembro, 2007


2.

Por David Sobel(orkut) no ensaio "zero A zero" (ensaio completo)

Setembro, 2007.


1.

Sem Cura

Há tratamentos muito eficientes para casos como este meu...
Já estudaram com minúcia incrível...
Dá pra prever cada passo dentro de meu corpo,
Cada sintoma se tornando real
Até parece natural esta minha reação
Esta resistência do fundo do ser...

Quem me diz que não é um complô,
Que não é apenas mais uma armadilha
Como as tantas religiões por aí,
Como o que nos obrigam a escutar como música,
Nem cheguei na TV ainda,
Bancos sempre a postos para nos dizer qual é o plano para nós....

Não aceito que me tratem porque não dói, sabe?
É só umas coisas estranhas aparescendo,
O corpo ficando diferente aos poucos
Não me incomoda muito
Até me divirto...
As chacotas alheias sempre advertem algo
Me assusto...

Algo novo para essa vida sem permissões
E logo uma regra? Não posso mais com as regras!
Estou enlatado, sabe?
Às vezes me falta até o ar de tantas regras que tive que engolir...
Ela sim me dói: a vida regrada, conivente
Me tratem disso doutores... estou com dor de regras...
Estráiam um pedaco de mim e digam: é maligno...
Ou, mesmo sabendo que nenhuma regra faça bem, digam: é benígno...

Por Olivetti

Maio, 2007.